quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

De Laura desde Madri 2


Oi Vô! muito obrigada pela resposta! Ninguém melhor do que o senhor para saber o q a Vó diria... amei as historias que ela/você contou! muito obrigada mesmo! Vocês 2 enriquecem a gente (filhos, netos, ...) demais!
 
Vou aproveitar para contar mais um pouquinho da minha vida de europeia!
 
Quanto aos estudos, está tudo indo bem! Já estou quase de férias! tenho só mais 2 trabalhos p entregar, e depois provas, mas só em janeiro!
Para o ano que vem estou programando 6 meses de estudos intensos! e estou muito animada! haha!
Vou começar um estagio, na parte de gestão de resíduos (q gosto muito), em um Hospital, em Madri!
Estou pensando também em escrever um trabalho de conclusão de curso por aqui. 

Outra parte boa, muito boa: viagens! Esse mês de novembro foi intenso! Conheci o Marrocos, Amsterdam, e agora estou em Munique! Tenho conhecido a Espanha tb, sempre q possível!
 
De todos os lugares que conheci ate agora o que mais me chamou impressionou foi Marrocos! Vou mandar um email qq dia (qd estiver inspirada sobre) contando dessa viagem!
 
Um pouquinho d Munique: to amando a cidade! mas uma coisa muito simples me marcou hj!
Peguei o 'tram' de manhazinha! sentei onde não havia ninguém, como de costume.  No ponto seguinte entrou um senhor e se sentou ao meu lado. Diferentemente de todas as pessoas desconhecidas que já se haviam se sentado ao meu lado, ele disse: 'Como você esta?'
Eu, sem prestar muita atenção de imediato, respondi: 'Olá'.
Só depois percebi que ele não havia dito 'bom dia', ou 'com licença'... Queria não ter sido tão automática e ter respondido: 'Estou muito bem! Hoje 'e meu primeiro dia em Munique, e estou muito animada! E vc, tudo bem?' Mas já era tarde. Olhei mais uma vez para ele, porque nem isso eu tinha feito direito. Ele tinha os cabelos brancos, mas não tinha mais de 50. Lembrei de papai...
As pessoas me surpreendem e me encantam pelo mundo!
Muito bom saber que apesar de estarmos longe, podemos nos falar com frequência!
Beijos, amo voces!

05/12/2012
 

Viagem no Tempo 1


Viagem no Tempo 1
 A carta a seguir transcrita foi escrita pela  neta Laura para a avó Zuleika em novembro/2012  (Laura com 24 anos, Zuleika com 82 anos).
                 “Estava pensando em você, hoje.      Penso em você quase todos os dias.      Sinto Saudade.      Confesso que é medo de te perder, também.
                Escrevi  uma carta pra Felipe e pensei  que, talvez, você gostasse de receber uma carta.      Tenho uma vaga lembrança da senhora me contando que estava mandando  e/ou  recebendo cartas (acho que de/ e para Tia Lygia).
Sei que não foi a senhora que pegou na caixinha, nem a senhora que abriu, e isso torna esta carta bem menos especial ou emocionante .       Mas mesmo assim é uma carta pra senhora e eu espero que goste.
                Viver aqui na Europa está sendo bom;   ainda não fiz muita coisa, mas tenho muitos planos de viagens.   
        Queria mesmo era poder voltar no Tempo, acordar bem cedinho e ir pra Praia das Conchas, caminhando com você.     Quem sabe se, no caminho, a gente ia achar umas conchas pra fazer um colar e, lá no finalzinho, onde a água é mansa, a gente ia entrar e ficar boiando, só boiando.     Não sei se suas amigas iam estar lá, talvez.     Ou talvez elas estejam pelo caminho.      De tardinha, a gente podia fazer uma nega- maluca, com aquele papel de Receitas que já está bem velho, meio rasgando, mas que (eu nunca entendi  isso) é essencial.
                Vó, obrigada por tudo isso.     Por cada bolo delicioso;  por nos ensinar a pular corda, até cruzando, de frente e de  trás.     Por cada colar de concha, que valiam mais do que um colar de diamantes.     Eu não sabia disso, por isso não guardei nenhum.     Obrigada por ter sido tão meiga e tão mansa.     Por nunca reclamar da vida, ou falar mal de ninguém.     Você é demais.     Quero ser metade do que você foi.
                Às vezes, eu queria conversar, perguntar sobre as coisas da vida.     Pedir uns conselhos.
                Isso me fez muita falta.     Lembro que uma vez eu perguntei o que fazia um casamento durar tanto.     Nunca vou me esquecer de sua  resposta :   “memória curta”.     Estou refletindo nisso até hoje.    Às vezes penso que é ruim pensar assim, outras que é verdade.
                 Vó, queria pedir pra pessoa que está lendo essa carta te dar um abraço e um beijo, por mim.     Eu te amo.     Assim que voltar, vou aí.”   

                Laura, é o Vô.       Como sabes, a Vó, devido à sua doença provocada pela velhice, não é mais capaz de, sozinha, agradecer pela tua carta, mas tenho certeza de que se pudesse responderia com as seguintes palavras :
                         “Laura, minha querida, o Vinicius leu a tua carta para mim.    
                 Me emocionei muito, gostei muito de tuas lembranças de nossos momentos felizes.     Vou responder, pausadamente, conforme a sequência  em que colocaste tuas lembranças.    
                       Não precisas temer me perder;   sei que quando não esteja mais presente, eu estarei  vivendo em tuas memórias e nas memórias de todos os meus  queridos.    
                    Gostei muito de receber tua carta pois ela me fez recordar muitos momentos felizes de minha vida, principalmente aqueles de convivência com todos os meus filhos, meus netos e contigo.      
                Eu tinha, na adolescência, um sonho de conhecer Paris, pois estudei em Montenegro, onde vivi no RGS, em um Colégio de Freiras, cuja Ordem era de origem francesa;  estudávamos francês e cultura francesa.       Tais coisas me provocaram este sonho e quando Balu/Alexandre estavam morando em Paris, fui visitá-los e realizei este meu sonho, o que foi maravilhoso.      Por isto bem entendo que gostes de estar vivendo na Europa, ainda que temporariamente para estudar.
                Todas estas lembranças que guardas e que irás sempre guardar, dos passeios de andanças até a Praia das Conchas;  carregar conchinhas para que vocês com elas brincassem;  pular corda; fazer bolos ( o Vinicius queria datilografar meus papéis de receita, mas jamais deixei, acreditando que os bolos e doces não ficariam tão bons, como receitados com minhas mãos  e escritas) ; das paradas e conversas  com minhas amigas; de ficarmos boiando, de barriga para cima naquela água tão gostosa da praia.     Minhas amigas, como eu, envelheceram e talvez, por isto, já não possam mais estar passeando na praia, assim como acontece comigo.   
                Tuas lembranças me provocaram a lembrança de minha avó materna, pela qual sempre senti um amor e uma ternura muito grandes, pois via nela, como espelho, o tipo de mulher que eu gostaria de ser, com sua dedicação pelo seu marido, pelos seus filhos  (próprios e adotivos), pelos seus netos,  por todos os que estivessem sob o agasalho de sua casa.    Quando casei, quis levar o Vinícius para visitá-los e conhecê-los, em Cruz Alta, RGS, minha avó e meu avô, que tinha o apelido de Querido, dado por ela.      Lá fomos e como estávamos em Lua de  Mel fizeram questão de ceder a nós sua cama de casal, com colchão de palha de milho, da sua casinha humilde, mas que para mim era um palácio radiante de rara beleza,  assim como para ti, o colar de conchas valendo mais do que um de diamantes.      O amor e o carinho entre as pessoas que se amam são de valor, realmente, inestimável.
                Quando chegar teu tempo de amar aos teus em tua 2ª. vida (a primeira é aquela vivida no lar dos pais, junto a eles e aos irmãos), verás que o que almejaste um dia ser como  metade da avó, irás viver integralmente como a avó que serás , cheia de amor, de ternura,  como sempre os demonstras em meio à família e em meio aos amigos.
                Quanto à “memória curta”, como sabes, todos temos, como a lua, um lado claro e um lado escuro;   a “memória curta”, refere-se apenas ao lado escuro, pois quanto ao lado claro das pessoas, a memória será sempre, inesquecível, o que ajuda, igualmente, a tornar duradouros os momentos maravilhosos que vivemos.
                      Como te disse, ao início de minha carta, o Vinicius leu para mim tua carta e ao final, me abraçou e me beijou, como pediste a quem a estivesse lendo.       Vou aguardar com minha memória afetiva, que ainda funciona muito bem, o teu regresso  e tua visita para nos abraçarmos com os desvelos e carinhos de neta e de avó.   Que a vida te enriqueça, como a mim me fez rica de doar e receber amor.     Beijos da vó que muito te quer.”